Provincial dos Jesuítas do Brasil dialoga com Líderes Inacianos durante visita canônica ao Colégio Catarinense

Encontro reuniu estudantes, educadores e jesuítas em um momento de diálogo, escuta e reflexão sobre liderança, vocação, saúde mental, redes sociais e missão
“A gente exerce liderança porque outros nos reconhecem como líderes.” A afirmação do Pe. Francys Silvestrini Adão, SJ, Provincial dos Jesuítas do Brasil, sintetiza parte do espírito que marcou o encontro realizado com os Líderes Inacianos do Colégio Catarinense, durante sua visita canônica à instituição.
O momento reuniu estudantes que exercem funções de liderança entre os colegas, educadores e jesuítas, em uma experiência de diálogo e escuta. Os alunos e alunas tiveram a oportunidade de fazer perguntas ao Provincial sobre temas presentes em sua vida cotidiana e, em um movimento igualmente significativo, também puderam compartilhar perspectivas e oferecer conselhos a quem tem a missão de acompanhar e animar a Companhia de Jesus no Brasil.
Ao longo da conversa, diferentes questões foram abordadas, entre elas liderança, saúde mental, uso das redes sociais, vocação, obediência e escuta. Em cada uma delas, o Pe. Francys convidou os estudantes a olharem para a própria trajetória com liberdade, responsabilidade e abertura ao outro.
Liderança que nasce do reconhecimento
Ao falar sobre liderança, o Provincial chamou a atenção para uma dimensão essencial: ninguém se torna verdadeiramente líder apenas porque ocupa uma posição. “A gente exerce liderança porque outros nos reconhecem como líderes”, afirmou.
A reflexão dialoga diretamente com a proposta de Liderança Inaciana vivenciada no Colégio Catarinense, que busca formar estudantes capazes de assumir responsabilidades, mobilizar pessoas e colocar seus talentos a serviço do bem comum.
Mais do que exercer autoridade sobre os outros, liderar, nessa perspectiva, implica construir relações de confiança e reconhecer que a liderança é também uma forma de serviço.
Cuidar de si e reconhecer o próprio lugar
A saúde mental também esteve entre os assuntos levantados pelos estudantes. Para o Pe. Francys, um dos caminhos para cuidar da própria saúde passa pela capacidade de reconhecer que nem tudo está sob nosso controle e que nenhum momento, seja ele positivo ou negativo, é absoluto.
“A saúde mental passa por saber que eu não sou o absoluto, as coisas ao meu redor não são o absoluto e, por isso, tenho que saber qual é o meu lugar”, explicou.
Nesse sentido, ele propôs aos estudantes uma mudança de perspectiva diante das diferentes circunstâncias da vida. Quando as coisas não estiverem bem — assim como quando estiverem indo muito bem — é importante lembrar: “isso vai passar”.
A consciência de que as situações são passageiras pode ajudar a estabelecer uma relação mais equilibrada com as próprias experiências, sem permitir que um momento difícil defina toda a existência ou que um período favorável seja entendido como permanente.
Redes sociais: saber como e quando usar
Outro tema presente na conversa foi a relação com as redes sociais. Diante de um cotidiano cada vez mais atravessado pelo ambiente digital, o Provincial reforçou a importância de desenvolver consciência sobre a maneira como essas ferramentas são utilizadas.
“Devemos procurar saber como usar e como não usar as redes sociais.”
A fala aponta para a necessidade de uma relação responsável com os ambientes digitais, reconhecendo suas possibilidades, mas também estabelecendo limites e critérios para seu uso.
Vocação sem receita pronta
Ao abordar a vocação, o Pe. Francys deixou aos estudantes uma mensagem de liberdade e autenticidade.
“Espero que vocês sejam quem vocês são. Não existe receita pronta para viver a vida de vocês.”
Para ele, descobrir a própria vocação não significa seguir um caminho previamente determinado, mas permanecer aberto às experiências, aos encontros e às diferentes perspectivas que ajudam cada pessoa a construir sua trajetória.
“Que a vida de vocês sirva para que a vida dos outros seja melhor”, afirmou.
O Provincial também convidou os jovens à criatividade e à capacidade de inventar novos caminhos. Segundo ele, cada pessoa chega à vida com uma determinada “bagagem”, formada por sua história, experiências e referências, mas essa bagagem é continuamente transformada pelo encontro com outras pessoas e outros olhares.
“Mantenham-se abertos para fazer um mundo melhor.”
A mensagem encontra profunda sintonia com a formação integral proposta pela tradição inaciana: reconhecer os próprios talentos e a própria história, ao mesmo tempo em que se permanece disponível para aprender com os outros e colocar a própria vida a serviço de uma realidade mais justa e humana.
Escutar para encontrar caminhos de liberdade
Talvez um dos momentos mais significativos da conversa tenha surgido quando o tema foi a obediência. Longe de associá-la simplesmente à submissão, o Pe. Francys apresentou uma compreensão relacionada à liberdade e, sobretudo, à escuta.
“A obediência é um caminho de liberdade madura e profunda.”
Ele lembrou que a própria origem da palavra remete ao ato de escutar. “Obediência, do latim, é escutar”, explicou, antes de apresentar o desafio que considera fundamental para todos: saber ouvir aquilo que as outras pessoas dizem sobre o mundo e também sobre nós mesmos.
A reflexão foi relacionada à própria trajetória de Santo Inácio de Loyola, que desenvolveu sua espiritualidade a partir da atenção aos movimentos interiores e do discernimento diante das experiências vividas.
Escutar, nesse sentido, não significa apenas ouvir sons ou opiniões. É colocar-se verdadeiramente disponível para reconhecer aquilo que o outro tem a dizer, deixar-se questionar e, a partir disso, discernir novos caminhos.
Uma missão construída em diálogo
Ao final do encontro, o Pe. Francys agradeceu aos estudantes pela oportunidade de ouvi-los e abençoou toda a comunidade educativa do Colégio Catarinense. Também agradeceu a confiança depositada na missão educativa da instituição.
A visita canônica, portanto, foi marcada não apenas pela presença do Provincial dos Jesuítas do Brasil, mas por uma experiência de encontro entre diferentes gerações e responsabilidades dentro da comunidade educativa.
Para os Líderes Inacianos, foi uma oportunidade de apresentar suas perguntas, inquietações e perspectivas. Para educadores e jesuítas, um espaço de escuta e diálogo. E, para todos, um lembrete de que uma missão educativa se fortalece quando existe abertura para ouvir, discernir e caminhar juntos.
No espírito da tradição inaciana, é pela escuta atenta, pelo discernimento e pelo compromisso com o outro que novos caminhos podem ser construídos.






















